BCE deve desacelerar juros após inflação recuar na zona do euro

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BCE deve desacelerar juros, artigo de Duda Mesquita by Grana Capital

BCE deve desacelerar juros após inflação recuar na zona do euro:

Com a divulgação da inflação na zona do euro para 10%, abaixo da expectativa de 10,4%, a especulação de que o Banco Central Europeu (BCE) iria seguir o Federal Reserve (Fed) e desacelerar o aperto da política monetária até então adotada permeou as discussões no mercado de capitais.

BCE deve desacelerar juros. Foto: Mabel Amber/Pixabay

O resultado não foi diferente: a instituição anunciou um aumento de 0,5 ponto porcentual nas taxas de juros, de facilidade de depósito e de empréstimo marginal. Com isso, a taxa de juros subiu de 2% para 2,5%, a taxa de facilidade de depósito alcançou 2% e a taxa de empréstimo marginal subiu de 2,25% para 2,75%. Esse aumento foi mais tímido se comparado aos anteriores, de 0,75 ponto porcentual.

No entanto, a posição do BCE não foi suficiente para acalmar os investidores. Pouco depois de anunciar o novo aumento, a presidente da autoridade monetária, Christine Lagarde, em coletiva de imprensa, demonstrou uma postura mais hawkish, deixando claro que o ciclo de alta de juros na zona do euro não está perto do fim.

Junto a isso, o relatório do BCE, indicando planos de reduzir o balanço, drenando dinheiro para tentar controlar a inflação, serviu como um choque de realidade para os investidores. O aperto monetário está apenas começando.

De fato, os dados não se mostram muito positivos para a economia europeia, com uma expectativa de crescimento do PIB em 0,5% para 2023 e crescimento dos preços acima da meta de 2%. O Deutsche Bank publicou um relatório indicando que a zona do euro poderá vir a enfrentar uma estagflação em 2023.

Estagflação é o termo dado para uma situação de estagnação ou recessão econômica junto a altas taxas de inflação. O Banco alemão então prevê que o continente passará por duas recessões, uma ao final de 2022 e outra em 2023, ao mesmo tempo, a inflação ainda será uma preocupação, com os efeitos da crise energética, causada pela guerra na Ucrânia, e da pandemia no radar.

Além da luta contra a inflação e a dívida, o BCE ainda precisa lidar com as políticas de governo dos países do bloco. A Itália já demonstrou insatisfação com os planos de aumentar os custos de empréstimos, enquanto a entidade financeira máxima da zona do euro já avisou: parem de criar mais subsídios ou o aperto monetário será maior.

O que os países mais endividados precisam aceitar é que o BCE não tem mais condições de continuar financiando os déficits governamentais, política que adota há décadas, e que aumentou durante a pandemia. Afinal, por mais que os subsídios “funcionem” a curto prazo, a conta sempre chega. Continuar com essa política significaria um alívio inflacionário em 2023, mas não necessariamente em 2024, o que necessitaria de mais apertos monetários.

Nesse contexto, entra o jogo político. Com a queda da renda real, o subsídio é justificado pelos governos como ferramenta de compensação pela perda do poder de compra, uma vez que o próprio BCE deixou a inflação alcançar esse patamar, não a política fiscal. Até pode existir um fundo de verdade, já que a autoridade monetária demorou a reagir ao aumento da inflação.

No entanto, o BCE tem deixado cada vez mais claro que não vai mais aceitar imprudência nas contas públicas, os tempos de ajuda do Banco com financiamento de dívida parecem ter terminado. Ao menos, é isso que estão transparecendo.

(*) Fontes de conteúdo: BCE e relatório do Deutsche Bank.

Texto: Duda Mesquita. Edição e revisão: Ernani Fagundes.

O Blog do Grana é a página de conteúdo informativo do aplicativo Grana Capital, parceiro da B3 para ajudar os investidores com o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

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