Petrobras (PETR3/PETR4) pagará dividendos de R$ 48,5 bilhões aos acionistas, R$ 3,72 por ação

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Petrobras (PETR3/PETR4) pagará dividendos

A Petrobras (PETR3/PETR4) pagará R$ 48,5 bilhões em dividendos, o equivalente a R$ 3,71549 por ação.

O pagamento será feito em duas parcelas iguais para ações ON (PETR3) e PN (PETR4).

A primeira parcela de R$ 1,857745 por ação será paga em 20 de junho de 2022.

Já a segunda parcela de R$ 1,857745 por ação será paga em 20 de julho de 2022.

Terão direito ao pagamento: os acionistas posicionados na data de 23 de maio de 2022. As ações ficarão ex-dividendos (sem os dividendos) em 24 de maio próximo.

Lucro líquido da Petrobras (PETR3/PETR4)

O lucro líquido da Petrobras foi de R$ 44,6 bilhões no 1º trimestre de 2022, ante R$ 31,5 bilhões no 4º trimestre de 2021.

Segundo a companhia, essa alta se deve principalmente ao aumento do preço do petróleo Brent no período, aliado a maiores margens no diesel, maiores exportações de petróleo, menores custos de importação de GNL (gás natural liquefeito), ganhos cambiais devidos à valorização do real em relação ao dólar e ganhos de participação em investimentos.

Sede da Petrobras no Rio de Janeiro/RJ. Foto: Divulgação/Petrobras

Pressão política sobre a Petrobras (PETR3/PETR4)

O presidente da República, Jair Bolsonaro, criticou o aumento dos lucros pela Petrobras, em sua live semanal realizada na noite de 05 de maio de 2022.

Bolsonaro fez apelos para que a Petrobras não volte a aumentar o preço dos combustíveis no Brasil.

Segundo reportagem do jornal O Globo, a defasagem entre os preços internos de combustíveis e os externos elevou a pressão do setor de combustíveis (importadores e refinarias privadas) por reajustes da Petrobras.

“Isso principalmente no caso do diesel, que se descolou bastante das cotações internacionais do petróleo nas últimas semanas”, comentou o coordenador do departamento econômico do Banco ABC Brasil, Daniel Xavier.

Quais são os riscos de ingerência política na Petrobras

Como a Petrobras é uma estatal, o principal risco para a companhia sempre será o de ingerência política em sua gestão.

Não por acaso, as ações (PETR3 e PETR4) são mais afetadas pelas notícias sobre a interferência do governo na empresa, do que pela variação dos preços internacionais do petróleo.

Quais são especulações políticas sobre o futuro da Petrobras

Se o próximo governo, independente da corrente política, seguir as leis vigentes no País, o futuro da Petrobras está mais relacionado ao aumento de sua capacidade de exploração do petróleo em águas profundas do Pré-Sal.

Mas há várias especulações políticas e até radicais sobre o futuro da companhia:

Especulação sobre “privatização” no 2º mandato de Bolsonaro

Uma das ideias, já manifestada publicamente pelo atual presidente da República, Jair Bolsonaro, seria uma proposta de privatização da Petrobras, num eventual 2º mandato. Vale lembrar que essa proposta teria que passar pela aprovação do Congresso Nacional.

Especulação sobre “estatização” no 3º mandato de Lula

Outra ideia já manifestada por alas mais à esquerda do Partido do Trabalhadores (PT) seria uma proposta de estatização da Petrobras, num eventual 3º mandato do ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva. Mas o tema não é consenso dentro do Partido, nem é considerado entre aliados de um futuro governo, e a proposta também teria que passar pela aprovação do Congresso Nacional.

Especulação sobre a “divisão ou cisão” da companhia

Outra especulação política seria de uma divisão (ou cisão) da empresa.

Como a companhia possui o domínio sobre o mercado (quase um monopólio) poderia ser dividida (ou cindida) entre uma empresa estatal em áreas consideradas estratégicas e outra parte para várias empresas privadas nacionais e internacionais, com o objetivo de incentivar a competição.

Em 2013, a estatal Pré-Sal Petróleo S.A. foi criada para cuidar do petróleo do Pré-Sal e outras áreas consideradas estratégicas. Mas na sequência, a Petrobras por sua força de poder junto ao governo tratou de assumir a exploração do Pré-Sal, deixando sua irmã estatal Pré-Sal Petróleo S.A. apenas com funções administrativas e de pesquisas iniciais sobre campos do Pré-Sal.

No recente projeto de privatização da Eletrobras, já aprovado pelo Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal), os parlamentares adotaram a solução de separar Itaipu e as Usinas Nucleares de Angra dos Reis (consideradas estratégicas) que permanecerão estatais – dos outros ativos como hidroelétricas e térmicas da Eletrobras, que estão livres para a futura privatização.

Poder econômico e de voto na Petrobras (PETR3)

Atualmente, pela divisão de poder econômico das ações, o governo federal (inclui ações detidas pelo BNDES) possui cerca de 30% do capital da companhia, enquanto o mercado possui em torno de 70% do capital.

Mas pela divisão de poder com base em ações ON com direito a voto (PETR3), o governo federal controla a companhia por meio 6 das 11 cadeiras do Conselho de Administração. As demais 5 cadeiras do Conselho estão divididas entre os investidores (4) e os funcionários (1).

Vale a pena investir em Petrobras (PETR3/PETR4)

Devido ao risco de ingerência política, PETR3 e PETR4 são consideradas ações “baratas” por analistas de mercado, mas também de alto risco de volatilidade em períodos eleitorais.

Entre as vantagens, a companhia paga um “dividend yield” considerado elevado, estimado em cerca de 25% do valor da ação.

Balanço da Petrobras do 1º trimestre de 2022

Receita líquida consolidada

A receita líquida consolidada alcançou US$ 27,2 bilhões no 1º trimestre de 2022, aumento de 13,1%, apesar do aumento de 27% do preço médio do Brent no período.

Vendas no mercado interno

As vendas de derivados no mercado interno foram de US$ 15,6 bilhões, crescimento de apenas 6,6%, com destaque para o aumento de 10,8% de diesel e de 21,6% de querosene de aviação (QAV).

O aumento nas vendas de petróleo para o mercado interno, saindo de US$ 53 milhões no 1º trimestre de 2021 para US$ 591 milhões no 4º trimestre de 2021 e US$ 1,76 bilhão no 1º trimestre de 2022.

Esse forte aumento é explicado pela venda de óleo bruto para a antiga RLAM, refinaria vendida em 2021 pela Petrobras.

Vendas no mercado externo

No mercado externo, destaque para o crescimento de 45,8% nas exportações de petróleo, chegando a US$ 4,8 bilhões, consequência do aumento de produção no período e do maior preço de venda.

A China voltou a ganhar relevância, representando 56% das exportações de petróleo no 1º trimestre de 2022 versus 38% no 4º trimestre de 2021. Com relação aos custos, houve uma redução nas importações de derivados (-27,2%) e de gás natural (- 24,5%).

Importações

A menor importação de gás natural é explicada pela menor demanda por gás para as termelétricas após a melhora nas condições hidrológicas, favorecendo o despache elétrico das hidrelétricas.

Ebitda

O Ebitda ajustado da Petrobras foi de US$ 15 bilhões, crescimento de 32,7% contra o último trimestre do ano passado. A margem foi de 55%, melhora de 8 pontos porcentuais explicada principalmente pelo maior preço médio do petróleo no período.

Fluxo de caixa

O fluxo de caixa operacional (+US$ 10,3 bilhões) e o fluxo de caixa livre (US$ 7,9 bilhões) tiveram crescimento de 12,1% e 5,6% respectivamente.

Dividend yield de 11,6% em Petrobras (PETR3/PETR4)

Nos cálculos da casa de análise Levante, os dividendos anunciados (de aproxidamente R$ 3,72 por ação) representam um dividend yield de 11,6%, com base na cotação de fechamento da quinta-feira (05/05).

“Porém, vale destacar que boa parte do valor distribuído é um adiantamento do resultado esperado para 2022, sendo altamente improvável uma distribuição nesta magnitude em um futuro próximo.

Análise da Levante sobre Petrobras (PETR3/PETR4)

Após a troca no comando da estatal, houve um certo alívio na pressão que vinha sendo realizada sobre a empresa, ainda beneficiada pela queda no dólar.

Porém, isto só é possível caso os recursos obtidos por seu principal acionista, o governo, tenham uma boa destinação.

Além disso, uma geração de caixa cada vez maior pode aumentar a atratividade da companhia para fins políticos, com uma alocação de capital que não visaria a geração de valor a seus acionistas.

De qualquer forma, não podemos deixar de destacar o incrível turnaround realizado na Petrobras, saindo de uma empresa altamente endividada para uma companhia focada em seus principais ativos, onde possui grande vantagem competitiva, já que é uma forte geradora de caixa e grande distribuidora de proventos.

Contudo, não podemos deixar de lembrar que estamos em um ano eleitoral, o que aumenta consideravelmente as incertezas com relação ao futuro da companhia.

Dessa forma, preferimos nos expor ao setor através de outras empresas que se beneficiam do ótimo momento do setor e não possuem riscos políticos embutidos.

Análise do Banco Modal sobre a defasagem nos combustíveis

De acordo com as estimativas do economista chefe do Banco Modal, Felipe Sichel, a defasagem da gasolina de octanagem 87 está em 25,47% (R$ 0,99), ultrapassando o maior trigger (gatilho para acionar) de alta registrado desde abril de 2021, com reajuste ocorrido em início de março de 2022. 

Enquanto isso, a defasagem da mistura entre as octanagens 87 e 93 se encontra em 30,60% (R$ 1,19), a da mistura com o etanol (73/27) está em 20,57% (R$ 0,80) e a do diesel está em 23,08% (R$ 1,04).

Estes valores representam uma elevação relevante no gap (diferença ou lacuna) observado no último dia de abril de 2022.

No caso da gasolina de octanagem 87, a defasagem estava em 12,4% (R$ 0,58), mostrando uma alta de 13,1 pontos porcentuais (R$ 0,41) desde então. Enquanto isso, o gap do diesel permaneceu virtualmente estável no período.

Estes movimentos podem ser explicados pela elevação média de 8,15% nos preços internacionais da gasolina sendo acentuados pela depreciação de 2,98% da taxa de câmbio. O preço do etanol manteve-se em estabilidade.

“Na nossa leitura, o atual nível de defasagem aumenta substancialmente o risco de novos reajustes para cima nos preços dos combustíveis pela Petrobras”, afirma o economista chefe do Banco Modal.

Fontes de conteúdo e relatórios consultados: B3, CVM, Petrobras RI, Banco ABC Brasil, Levante e Banco Modal.

Edição: Ernani Fagundes, jornalista responsável pelo conteúdo do Blog do Grana.

E-mail: ernani.fagundes@grana.capital (mande sua opinião sobre o Blog do Grana e sugestões para melhorar sua experiência no site de notícias de mercado e de investimentos).

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