Carteira Dividendos BTG maio 2022: Conheça a seleção do BTG Pactual

Carteira Dividendos BTG maio 2022

Aqui no Blog do Grana, você terá informações sobre a carteira de dividendos do BTG Pactual Research para o mês de maio de 2022.

A seleção de ativos foi realizada por Carlos Sequeira (CFA) e a equipe de analistas do BTG Pactual Research: Bruno Lima, Luiz Temporini, Luis Mollo, Marcel Zambello e Vitor de Melo.

Confira na sequência do texto:

Foto: Edifício do BTG Pactual.

Carteira Dividendos BTG maio 2022

A seleção possui 10 ações, cada uma com 10% de participação na carteira. As estimativas de dividend yield (o lucro proporcional ao valor da ação) variam entre 4,9% e 18,1%.

Bradesco (BBDC4) – dividend yield de 8,9%

Cresceu o interesse por ações do setor financeiro, principalmente os grandes Bancos do nosso universo de cobertura, uma vez que muitos investidores esperam que o setor seja mais defensivo no atual cenário de inflação/juros mais elevados.

No geral, a visão é de um cenário construtivo para o setor.

Para a tese de investimento, apesar do Bradesco provavelmente apresentar um conjunto de resultados marginalmente mais fraco de resultados na quinta-feira (05/05), o banco passou a ser negociado com grande desconto em relação a sua média histórica.

E os spreads entre Itaú e Bradesco estão no patamar mais alto em 5 anos.

Alupar (ALUP11) – dividend yield de 9,0%

A Alupar vem desenvolvendo cada vez mais o seu operacional nos últimos resultados trimestrais e já possui um portfólio de transmissão (de R$ 2,89 bilhões) e extensão de quase 8 mil km.

Apesar da Alupar ser a mais endividada entre as empresas quase puras de transmissão (3,4x Dívida líquida/Ebitda no 4º trimestre de 2021), o aumento do endividamento é resultado do histórico da empresa de boa alocação de capital em projetos de transmissão geradores de valor.

Para 2022 se espera também investimentos em projetos de geração de energia eólica e solar, os quais devem entrar em operação ainda esse ano.

Portanto, com a maioria desses projetos em operação, esperamos que a alavancagem caia para níveis muito mais confortáveis até o final de 2022, o que deve abrir espaço para melhores dividendos.

Atualmente temos um dividend yield de 8,7% para 2022 e 9,1% em 2023 – com espaço para pagamentos mais elevados.

A Alupar vem sendo negociada com uma TIR (taxa interna de retorno) real de 9,8%, a maior entre os pares de transmissão.

Para o 1º trimestre de 2022, se espera impactos positivos provenientes da energização das linhas de transmissão.

Transmissão Paulista (TRPL4) – dividend yield de 11,2%

Conhecida ainda como Transmissão Paulista (TRPL4), a Isa CTEEP é a maior empresa privada de transmissão do setor elétrico brasileiro e é responsável por aproximadamente 33% de toda a energia elétrica transmitida pelo Sistema Interligado Nacional (SIN).

Ela possui um portfólio de transmissão de 19 mil km (de R$ 2,9 bilhões).

A companhia possui 9 linhas de transmissão em construção, totalizando R$ 500 milhões e 1.700 km de rede.

Destes, 6 projetos (R$ 380 milhões) estão em estágio avançado de conclusão e provavelmente serão energizados nos próximos meses.

2022 será um ano de leilões de novas linhas de transmissão e se espera que a companhia também participe, os quais deverão ser bastante concorridos.

A empresa é negociada com uma TIR (taxa interna de retorno) de 6,8% e um dividend yield de 8,5% para 2022 e 11,2% para 2023 com endividamento mais baixa de 2,6x a dívida líquida dividida pelo Ebitda, o lucro antes de impostos, taxas, depreciações e amortizações.

Energisa (ENGI11) – dividend yield de 4,9%

Energisa é uma das operadoras do setor e é negociada com um desconto perante os pares, com uma TIR (taxa interna de retorno) real de 10,8% contra uma média de 9,4% de seus pares.

As concessões da empresa mostraram muita resiliência durante esse período de atividade econômica mais fraca em 2021.

A Energisa também foi uma das principais beneficiárias do descasamento IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) e o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), uma vez que 6 de suas 11 principais concessões estão vinculadas ao IGP-M, o que contribuiu para o aumento do EBITDA regulatório dessas distribuidoras.

Essa forte geração de caixa também ajudou a reduzir o endividamento para 2,3x a relação dívida líquida dividida pelo EBITDA (o lucro antes de impostos, taxas, depreciações e amortizações) no 4º trimestre de 2021.

A empresa anunciou seu plano de negócios de 5 anos, continuando a buscar oportunidades em transmissão, energias renováveis, biogás e eventualmente distribuição de gás.

A Energisa possui um dividend yield de 5,8% para 2022, 6,1% para 2023.

Se espera que a companhia tenha “um bom resultado” no 1º trimestre de 2022 com um aumento no volume de distribuição de 2,3% na comparação anual.

Da operação, 8 de suas 11 concessões de distribuição apresentaram crescimento nesse começo de 2022.

Engie (EGIE3) – dividend yield de 9,9%

A Engie possui um histórico de “boa” alocação de capital e gestão de capital.

No sentido de diversificar o seu portfólio operacional, a Engie entrou oficialmente no segmento de transmissão com a energização de sua linha de transmissão Gralha Azul no Paraná.

O objetivo foi alcançado mais de um ano antes do prazo regulatório.

Além disso, a companhia tem a construção adiantada da linha de transmissão no Pará e Tocantins (R$ 670 milhões nas duas linhas).

A companhia pretende investir no segmento via fusões e aquisições.

Em 2022 teremos o leilão de 15 blocos, os quais deverão ser analisados pela companhia.

A Engie possui um “pipeline” de 2,2GW de energias renováveis (solar e eólica) para os próximos anos.

Para o resultado do 1º trimestre de 2022, se espera um avanço de seu resultado operacional devido ao início da usina eólica Campo Largo II.

A Engia está sendo negociada a uma TIR (taxa interna de retorno) real de 8,7%, um dividend yield de 8,2% para 2022 e 9,9% para 2023, com um endividamento controlado de 2x (duas vezes) a relação dívida líquida dividida pelo Ebitda (o lucro antes de impostos, taxas, depreciações e amortizações).

Brasil Agro (AGRO3)dividend yield de 18,1%

As últimas projeções de oferta e demanda de grãos e algodão devem sustentar preços mais à frente, o que é importante para a safra 2022/23 para fazer face aos maiores custos de insumos agrícolas.

Para os próximos meses, o monitoramento da oferta de fertilizantes no Brasil será fundamental.

Os riscos de abastecimento para os maiores operadores de terras são menores, pelo menos em termos relativos, dado seu acesso direto aos produtores globais de insumos agrícolas, e que os yields em áreas maduras devem ser mais resilientes se algum nível de interrupção no fornecimento de fertilizantes ocorrer.

Com o Brasil ostentando uma posição de liderança para oferta e demanda global de várias commodities, os yields mais baixos em 2022/23 (se materializados) ainda podem se traduzir em preços mais altos.

A BrasilAgro pode se beneficiar tanto de suas operações agrícolas quanto do desenvolvimento de terras.

Itaú (ITUB4) – dividend yield de 7%

As ações dos bancos devem se mostrar defensivas no ambiente atual.

A visibilidade dos lucros permanece decente, com um momentum favorável à frente depois que a receita começou a melhorar no 2º semestre de 2021.

A tendência é de uma NII (margem financeira bruta) positiva pela frente para o Itaú, já que a carteira de crédito deve crescer consideravelmente em 2022.

A margem financeira bruta (NII) de clientes deve superar esse crescimento, considerando o aumento da taxa Selic e ganhos graduais advindos das linhas emergenciais.

O Itaú não reverteu nenhuma de suas provisões adicionais relacionadas à pandemia, que poderia começar em 2022.

A inadimplência deve subir de seus níveis historicamente baixos atuais, enquanto as receitas de serviços versus a dinâmica de OPEX (Operational Expenditure, ou investimentos em despesas recorrentes e essenciais de manutenção do negócio) este ano devem se deteriorar.

Telefônica Brasil (VIVT3) – dividend yield de 5,7%

A Telefônica Brasil (Vivo) possui um modelo de negócios resiliente, balanço sólido e forte geração de caixa.

As grandes empresas de telecomunicações do Brasil (Vivo, Tim e Claro) se beneficiarão da consolidação do setor, especialmente após a consolidação da Oi Móvel.

A Vivo precisará realizar desembolsos de caixa em 2022, devido ao leilão do 5G e aquisição da Oi Móvel.

Mas apesar das obrigações vultosas, a Vivo é capitalizada, com forte geração de FCF Operacional (EBITDA – CAPEX) e baixa alavancagem, logo não se espera mudanças em sua política de distribuição de proventos (dividendos e JCP).

Desde o início do ano até hoje, a Vivo apresentou performance superior ao Ibovespa, e mesmo após seu desempenho superior recente, ainda negocia com um desconto em comparação com seus pares globais.

Vale (VALE3) – dividend yield de 10,4%

A administração da Vale continua disciplinada na alocação de capital (modelo de negócios “asset light”).

A maior parte da agenda da companhia deve envolver retornos de caixa aos acionistas. A última recompra de ações demonstra isso.

Se espera que os problemas de produção de minério de ferro em Carajás se dissipem (ajudando a produção e a diluição de custos fixos) e melhorando os resultados de sua unidade de metais básicos subvalorizada em 2022 (EBITDA menor que US$ 5 bilhões) níquel “performando bem” devido às questões na Rússia.

Os preços do minério de ferro devem permanecer sustentados no curto prazo, à medida que a produção de aço chinesa se recupera das mínimas devido ao estímulo e relaxamento das restrições à poluição, bem como da oferta marítima apertada com os principais players lutando para estabilizar a produção.

Banco do Brasil (BBAS3) – dividend yield de 12,2%

O Banco do Brasil cresceu menos que o sistema financeiro nos últimos anos.

A instituição possui uma carteira de crédito mais defensiva, com menor exposição ao crédito sem garantias para pessoas físicas, permitindo índices de capital principal mais alinhados com seus pares.

Ao se assumir que o Banco do Brasil possa entregar seu guidance (expectativa própria) de lucro líquido de R$ 24,5 bilhões, a ação está sendo negociada com um dividend yield de cerca de 10% assumindo um payout (distribuição) de 40% dos seus lucros aos acionistas.

Na visão do BTG Pactual Research, apesar do risco eleitoral inerente devido à sua natureza estatal, as ações do Banco do Brasil “estão baratas” agora para serem ignoradas.

Fontes de conteúdo e relatórios consultados: Ágora Investimentos.

Edição: Ernani Fagundes, jornalista responsável pelo conteúdo do Blog do Grana.

E-mail: ernani.fagundes@grana.capital (mande sua opinião sobre o Blog do Grana e sugestões para melhorar sua experiência no site de notícias de mercado e de investimentos).

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