O que janeiro nos ensina? | Por Ricardo Schweitzer

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Artigo de Ricardo Schweitzer

Não seja refém do fluxo: atenha-se à sua estratégia. Por Ricardo Schweitzer*

“Eu não sei explicar o que aconteceu com a bolsa em janeiro”.

Tenho, ultimamente, tentado ser um pouco mais ativo no tal fintwit – do qual, sinceramente, não gosto muito: acho que tem ego demais e informação de menos. Impossível foi não ter minha atenção capturada por essa frase, vinda de um gestor.

Mais engraçado é ver que, simultaneamente, não faltou quem se dispusesse a explicar a ele o que aconteceu: o Brasil ficou atrativo para o gringo por a, b e c motivos. Os explicadores, em sua grande maioria, não tinham dinheiro em jogo.

Pergunto, de coração aberto: voltando para o dia 29 de dezembro do ano findo, qual era o cenário? Curva de juros abrindo feito acordeon tocando nota longa, na esteira das movimentações palacianas em prol de chances de reeleição; sinalizações de aperto monetário nas economias desenvolvidas, incertezas com relação ao próximo ciclo eleitoral na terra brasilis… 

Quem, em sã consciência, bateu no peito naquele momento e declarou que janeiro seria bom para a bolsa?

Eu não vi ninguém. E acho que isso diz muito.

O encerramento do mês traz consigo muitos fundos com bons resultados. Em comum entre eles não houve a visão além do alcance acerca do que janeiro nos reservava, mas sim algo muito menos palatável a quem vive de chamar a atenção:

Consistência.

Foi premiado em janeiro não quem sabia o que ia acontecer (quem?), mas sim quem, não sabendo o que aconteceria, continuou fazendo rigorosamente a mesma coisa de sempre: comprando boas empresas a bons preços, em postura perfeitamente agnóstica em relação ao futuro próximo.

Isso ensina muito a quem, de ouvidos e olhos abertos, estiver genuinamente disposto a aprender algo: prever fluxo é tarefa não somente ingrata, mas desnecessária à luz da possibilidade de, simplesmente, comprar bem.

Enquanto isso… em minhas interações nas redes sociais, não se cansam de me perguntar se eu acho que a bolsa vai subir ou não nas próximas semanas ou meses. 

Grande parte dos pequenos investidores segue viciada nessa vã tentativa de adivinhar para onde os preços vão no curto prazo.

Mesmo abundando exemplos de que não é assim que se ganha dinheiro.

Repito: não é assim que se ganha dinheiro. Pelo menos não de maneira consistente. Pelo menos não para a maioria.

Janeiro ensina que é perda de tempo e energia tentar adivinhar para onde e quando a bolsa vai. Janeiro ensina que, entre altas e baixas, acaba recompensado quem fez a lição de casa e comprou bem e barato.

O resto, meus caros, não passa de perfumaria.

E não tenho dúvidas de que fevereiro há de se descortinar, para muitos, com a mesma dúvida de sempre: vai subir ou vai cair? Compro agora ou espero?

E vou insistir na resposta: preocupe-se em comprar bem e suficientemente barato. Vai ter volatilidade no meio do caminho sim, mas isso é parte do jogo e nada diz sobre os resultados a se esperar no seu horizonte de investimento.

O resto é resto.


*Ricardo Schweitzer é analista CNPI, consultor CVM e investidor profissional. 

Twitter: @_rschweitzer, Instagram: @ricardoschweitzer

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